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domingo, 25 de janeiro de 2015

Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves - Tállison Silva



O meu sertão tem de tudo quanto possa imaginar.
De brasa, fogo e calor, a braço d’água um mar.
Agora me apodero da Barragem de Assu,
que matando a minha sede, pode também me lavar.

Corre o povo em aflição para nela se banhar.
Comer seu peixe cozido com pirão no aguidar.
Mas, nem se quer nos lembramos,
dos que tu deixou de abrigar.

Tu que hoje traz o alento, o frescor e o sustento
dos que moram ao teu redor.
Que não fique esquecida, fostes tu buraco grande
que cavastes o terreno de um povo em nota Dó.

Nota Dó ecoa o pobre, o desvalido e o sofrido,
que até hoje vive esperando os reais de quem lhes deve. Desabrigado e sem teto, sem rumo e indenização seguiu o povo em marcha, sem direito a terra e pão!

AUTOR: Tállison Ferreira da Silva

sábado, 24 de janeiro de 2015

Lagoa do Piató - Tállison Silva

Ao amanhecer da aurora ti via resplandecer,
banhada pelo Rio Açu de um vento frio à me aquecer.
O canto dos passarinhos eu ouvi, era lindo o sabiá,
como podes tu lagoa, na secura te afogar?

Eis a seca braba, câncer lento a te matar,
toda é a nossa culpa  queira nós crime pagar.
Ao sujar te poluímos, sem medida e cumprimento
e da chuva privação esse é o merecimento.

Quem eras tu e quem tu és minha lagoa?
Do verde e de ramados, carnaubais te assinalava.
Tu que alimentastes tantos quantos pescadores. E hoje
deixa a mendigar a quem padecem  em suas dores.

Mais do céu fazei chover, Jesus Cristo e São João.
Ver a dor deste teu povo, que não tem água e nem pão,
pois o que era o seu sustento se tornou foi um tormento, só brasa, poeira e carvão.

Tállison Ferreira da Silva - poeta assuense. Blog do Tálisson:FMP